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Corte e costura...

Vivo no presente, o passado está lá atrás, e é lá que pretendo que ele permaneça...o futuro virá e aqui estou eu de braços bem abertos e com um largo sorriso no rosto, ansiosamente à espera de o receber!

Corte e costura...

Vivo no presente, o passado está lá atrás, e é lá que pretendo que ele permaneça...o futuro virá e aqui estou eu de braços bem abertos e com um largo sorriso no rosto, ansiosamente à espera de o receber!

SONHO vs MEDO

Outubro 18, 2013

Sem voltar atrás...

Eu tenho medo de deixar passar o tempo e não me ver nele. De olhar muito para a frente, ou muito para trás, ou muito para qualquer outra direção. E acabar por me esquecer de olhar ao espelho. De reparar nas marcas do rosto, nos contornos do nariz que se vão modificando ano após ano. Tenho um grande receio de me perder ao não saber mais dizer a cor dos meus olhos – ou pior: de não saber mais se eles ainda brilham por alguma coisa apaixonante. Sem contar com o medo de poder vir a  ter rugas no coração. As nossas motivações diárias acabam tornando- se mecânicas. Somos iludidos pela premissa de que as rédeas da nossa vida são nossas de verdade. Deveres e responsabilidades tiram o lugar especial que os sonhos tinham. Mas nós acabamos por nos tornar tudo aquilo que negávamos ser: descrentes no que realmente queremos viver. E assusta- me mais ainda  que os meus sonhos sejam tão descartáveis como copos ou pratos que se deitam fora após uma festa lá em casa. Corredores que somos (porque é assim que me vejo), acabamos por esquecer qual é a corrida que vale mesmo a pena. Mesmo que a corrida exija que paremos um pouco para respirar ou que mudemos de passeio no meio do caminho. O meu receio é de que estejamos pouco a pouco, a matar os nossos sonhos. Pequenos pormenores fazem a diferença, resta-nos saber identificá-los. Agente esconde-se  atrás das obrigações sociais do dia a dia e utilizamo-las como desculpas para depois, para o que ficou por fazer e por dizer. Lembro-me que quando era miuda, tinha um medo brutal do escuro. Era só fechar os olhos que a imaginação fazia- me ver um mundo de possibilidades que variava de monstros, a seres especiais de outras dimensões. Os sonhos não mudam, assim como os meus medos não desapareçam. O que mudou foi a capacidade de lidar com eles. Aos 10, aos 20, aos 35 e aos 50, os sonhos e os medos simplesmente se mantêm por lá...num recanto do nosso imaginário, mas agente parece esquecer- se  disso e continuamos com o campo de visão limitado num ângulo pouco menor que 90 graus. A minha dor é que um dia eu não consegua ver além dos meus olhos. E nesse meio tempo, eu tenho medo de me perder dos sonhos encaixotados, da infância risonha, da espontaneidade diária e de tudo aquilo que foi feito para fazer girar a vida.

 

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