Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

Medo e coragem

"A coragem desponta como um grito escondido. Vem com a paz que o medo não gosta. Espanta o frio na barriga e pega-me pelas mãos, ergue-me e faz os meus pés deslizarem suavemente sob uma terra, um pouco desconhecida para mim. Que terra é essa? Não consigo dar um nome, porque ainda a estou a descobrir...mas as mãos que me alcançam, eu sei bem; Só podem ser de Deus, não há outro capaz de me trazer uma certeza como essa!"

 

 

O meu maior defeito e a minha maior qualidade. Ter medo dos fatos da vida é os olhos da minha cara, medrosa...nunca uma expressão me assentou tão bem. Estou quase sempre preparada para o pior, nunca para o melhor, como se fizesse disso uma bóia de salvação previamente posta à cintura. Quando era mais nova tinha o hábito de dizer que vivia no fio da navalha, e anos volvidos, não me parece que tenha mudado assim tanto a minha forma de encarar a vida. Sinto a necessidade de dar cor e sabor aos meus dias, e é a coragem que me dá o impulso necessário para arriscar. O preço a pagar é o medo, a constante incerteza, a ansiedade do que virá a seguir e das consequências dos meus actos e das minhas tomadas de posição. Vou-me segurando, vou-me aguentando e apenas permito que as coisas que correram menos bem se tornem apenas um “problemazito” não resolvido. Aceito passar por mortes, pelo esquecimento, pelas preocupações, pelas injustiças, pelos julgamentos, pelas faltas de respeito, pelas deslealdades e até pela maldade. “Não é nada demais” é o que regra geral eu me permito pensar e interiorizar. A vulnerabilidade que habita em mim, é tão grande que não a consigo medir, vivo entre a linha tênue entre desmoronar e ser forte. Já por aqui disse que criei em torno de mim e da minha vida mecanismos de defesa, e a coragem é apenas um meio de os alcançar! Apesar de tudo, eu também me vou abaixo, também sou atirada ao chão e tudo, ou quase tudo,  por culpa minha, por não ter dado ouvidos aos pequenos sinais, por não ter prestado atenção aos pequenos detalhes, que na verdade, eram grandes demais pra eu os poder medir. Foi e é mais fácil fingir a falta de importância do que encará-los frente a frente. Tenho medo de que tudo dê errado, mas tenho – agora – a coragem de admitir que sinto a força necessária para deixar o medo pra trás, mas também para deixá-lo agir sobre a minha coragem.

Estou...:
publicado por Sem voltar atrás... às 12:11

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